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Consulta médica em inglês: da abertura ao diagnóstico

Por Dr. Micael JardimAtualizado em setembro de 2026Leitura ~11 min
Inglês ProfissionalB1
Resposta rápida

A consulta em inglês tem seis etapas, e cada uma tem uma frase que a abre: acolher, ouvir a queixa, detalhar a história, examinar, explicar o achado e combinar o plano. Quem sabe as seis frases conduz a consulta inteira — mesmo com inglês intermediário.

Quem atende em inglês pela primeira vez descobre rápido que o problema não é a terminologia. É a sequência: saber o que perguntar agora e o que deixar para depois, e como passar de uma etapa para a outra sem que a conversa pareça um interrogatório.

As seis etapas

EtapaO que você fazA frase que abre
1. AcolherEstabelecer o tom e o nomeGood afternoon. I'm Dr. Costa. How would you like to be called?
2. Queixa principalDescobrir por que a pessoa veioWhat brings you here today?
3. HistóriaDetalhar início, frequência, fatoresTell me more about it. When did it start?
4. ExamePedir licença antes de tocarI'd like to examine you now, if that's all right.
5. ExplicarDizer o achado em linguagem comumWhat I think is going on is…
6. PlanoCombinar o próximo passo e checarDoes that make sense? What questions do you have?
A regra dos primeiros segundos
  1. Estudos clássicos de comunicação clínica mostram que o profissional costuma interromper a queixa do paciente muito cedo — em torno dos primeiros 20 segundos.
  2. A consequência é prática: a informação que importava aparece depois, e a consulta perde tempo voltando atrás.
  3. Por isso a etapa 2 tem uma pergunta aberta e um silêncio. What brings you here today? e nada mais.
  4. O contraexemplo é What's your problem? — gramaticalmente correto, socialmente agressivo em inglês.

Abrir sem fechar a resposta

A diferença entre uma pergunta aberta e uma fechada, em inglês, muda tudo o que vem depois. A fechada admite yes ou no e devolve a bola para você; a aberta obriga o paciente a narrar, que é onde o diagnóstico costuma estar.

Fechada (evite abrir com ela)Aberta (prefira)
Do you have pain?What brings you here today?
Is it bad?Tell me more about it.
Does it hurt here?Where exactly is the pain?
Are you taking medication?What are you taking at the moment?

As fechadas não são proibidas — elas são ótimas na etapa 3, quando você já tem a narrativa e precisa fechar o cerco. O erro é começar por elas.

Abaixo, a etapa 3 inteira. Repare como o médico cobre início, frequência, localização, fatores de melhora e piora, medicação, sintomas associados e história familiar — sem nunca usar a palavra “anamnese”. Toque em qualquer palavra para ver a tradução.

💡 Toque em qualquer palavra para ver a tradução.

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Dr. Costa , . . ?

Mr. Barnes . .

Dr. Costa . ?

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Dr. Costa ?

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Dr. Costa ?

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Mr. Barnes . .

Dr. Costa ?

Mr. Barnes , .

Dr. Costa . . , .

As perguntas da história, por eixo

O que investigarComo perguntar em inglês
InícioWhen did it start? · How long has this been going on?
FrequênciaHow often do you get them? · Is it constant or does it come and go?
LocalizaçãoWhere exactly is the pain? · Does it go anywhere else?
IntensidadeOn a scale of one to ten, how bad is it?
FatoresDoes anything make it better or worse?
MedicaçãoHave you taken anything for it? · What are you on at the moment?
AssociadosAny other symptoms? · Any nausea, fever, changes in your vision?
AntecedentesHave you ever had this before? · Any operations in the past?
FamíliaDoes anyone in your family have…?
HábitosDo you smoke? · How much alcohol do you drink in a week?

Duas observações de gramática que valem a pena. A primeira: Have you ever had this before? usa o present perfect porque interessa a experiência até hoje, não a data. A segunda: How long has this been going on? usa o present perfect continuous porque a situação começou no passado e continua agora — e é a forma que o paciente espera ouvir.

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Conduza a consulta

Escolha a frase que faz o trabalho de cada etapa.

Pergunta 1 de 4
Para abrir a consulta sem limitar a resposta: “ _____

Fechar a consulta

A etapa 6 é a mais negligenciada e a que mais determina se o tratamento vai ser seguido. Três movimentos: explicar em palavras comuns, combinar o que cada um vai fazer e checar — não perguntando se entendeu, mas pedindo que a pessoa repita o plano com as palavras dela.

Treine a consulta inteira, não frases soltas

Na aula a gente simula a consulta do começo ao fim, com o paciente difícil incluído — que é o que realmente acontece no seu dia.

Perguntas frequentes

Devo chamar o paciente de Mr./Mrs. ou pelo primeiro nome?
Comece formal (Mr./Mrs./Ms. + sobrenome) e pergunte: “How would you like to be called?”. Em países anglófonos isso é comum e resolve o problema de uma vez, inclusive com pacientes que preferem outro tratamento.
Qual a diferença entre “complaint” e “symptom”?
“Chief complaint” é o motivo declarado da consulta — o que a pessoa diz que a trouxe. “Symptom” é qualquer manifestação, incluindo as que ela não mencionou e você descobriu perguntando.
Preciso decorar todas essas perguntas?
Não. Decore a frase que abre cada etapa — são seis. As perguntas da história você constrói a partir dos eixos (início, frequência, localização, fatores), que é como o raciocínio já funciona em português.
E se o paciente falar rápido demais?
Use a checagem: “Just to check — the pain comes when you walk and stops when you rest?”. Devolver reformulado é melhor que pedir para repetir, porque confirma o conteúdo e não interrompe o fluxo.

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