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Lusofonismos: os erros de inglês do brasileiro, do básico ao avançado, e como sair deles

Por Dr. Micael JardimAtualizado em setembro de 2026Leitura ~22 min
Inglês para ExecutivosVocabulário AvançadoC1C2
Executivo de costas, em pé na cabeceira de uma sala de reunião envidraçada, apresentando a participantes remotos numa tela: o momento em que o inglês precisa sair sem passar pelo português.
Resposta rápida

Lusofonismo é o português vazando para dentro do inglês. Não é um nível: atravessa gramática, vocabulário, pronúncia, e no avançado vira outra coisa: a frase certa e natural que descreve o que o nativo nomeia. I invested in companies that are failing está correto; a mesa diz I invest in distressed assets. No básico o professor corrige; no avançado ninguém, porque todo mundo entende, e o erro fossiliza. Sair dele não é decorar mais vocabulário: é fabricar o sinal de erro que a conversa não dá (gravar e transcrever), atacar um por vez, instalar o bloco pronto no lugar da regra, testar sob pressão e remedir. Nem todos devem sair: os que custam credibilidade saem, os que são sotaque ficam, de propósito.

Existe uma categoria de erro que não aparece em prova de proficiência e não impede ninguém de entender você. Ela só faz uma coisa: marca você. É o lusofonismo, o português construindo o inglês por dentro. Quem está começando comete os visíveis e é corrigido. Quem já opera em inglês há dez anos comete os invisíveis: frases corretas, naturais, entendidas por qualquer americano, que descrevem em quatro palavras o que a mesa nomeia em uma. Ninguém diz nada. Este texto é sobre a escada inteira, mas o peso está no degrau de cima: o que fazer quando você já é C1, sente que “soou estranho” e não tem quem aponte por quê.

O que é um lusofonismo (e por que não é um nível)

Você não “passa” da gramática para o vocabulário e depois para os lusofonismos. Eles atravessam tudo. Aparecem na gramática (I have 30 years), no vocabulário (pretend por pretender), na pronúncia (Facebook-i), na estrutura da frase (Do you know where is the meeting?) e no jeito de pedir as coisas (Send me the report). Simultaneamente, porque todos têm a mesma origem: a frase nasceu em português e foi traduzida no caminho.

Diagrama: a rota mediada vai de ideia para português, tradução e inglês, e produz “I have 30 years”; a rota direta vai da ideia ao inglês e produz “I'm 30”.
Cada lusofonismo é evidência visível de qual rota o seu cérebro usou para produzir a frase.

É por isso que a lista de lusofonismos vale mais como diagnóstico do que como correção. Ela bate nas duas faces da fluência ao mesmo tempo. Na interna (como é para você falar inglês: chegar exausto ao fim de uma call de uma hora, ensaiar mentalmente antes de abrir a boca) e na percebida (como é para os outros ouvir você: quantas vezes se corrige, se a palavra que usou significa o que achava). Fadiga e erro de transferência não são dois problemas. São dois sintomas da mesma rota mediada pelo português. Já escrevi sobre as duas fluências e como medir cada uma; aqui o foco é a causa comum.

A decisão que ninguém te ajuda a tomar
  1. Nem todo lusofonismo deve ser eliminado. Eles se dividem em dois grupos, e o trabalho começa por separá-los.
  2. Os que custam credibilidade ou significado saem. I pretend to expand, I have 30 years, informations num e-mail para o board: ruído que faz o interlocutor recalcular quanto do que você diz pode levar a sério.
  3. Os que são só sabor ficam, e ficam de propósito. A cor das suas vogais, o seu /r/, um ritmo levemente mais silábico. Você nunca vai ser visto como americano. Vai ser visto como brasileiro que fala inglês. A escolha real é entre ser o melhor brasileiro da sala ou um americano de segunda categoria.

A escada: do básico ao avançado

Os lusofonismos sobem três degraus. No primeiro o erro é de forma: a palavra ou a estrutura está errada, e qualquer professor corrige na hora. No segundo é de combinação: cada palavra está certa, o encaixe é que veio do português, e um colega atento às vezes nota. No terceiro é de pensamento: a frase é gramaticalmente impecável e diz outra coisa, ou diz a coisa certa na ordem errada, e ninguém corrige, porque todo mundo entendeu. Quanto mais alto o degrau, menos sinal de erro você recebe.

Diagrama em três degraus: A1–A2 forma (o professor corrige), B1–B2 combinação (um colega às vezes), C1–C2 pensamento (ninguém corrige, então fossiliza).

Degrau 1 · Forma (A1–A2): o erro que tem quem corrija

São os lusofonismos de quem está montando as primeiras frases. Visíveis, audíveis, e por isso os mais fáceis de tirar: têm feedback. Se algum destes ainda sai da sua boca sob pressão depois de anos de inglês, o problema não é o item, é a rota.

Vem do português❌ Lusofonismo✅ Inglês
ter idade, fome, frio, razãoI have 30 years / I have hungryI'm 30 / I'm hungry / I'm right
plural do incontávelinformations, advices, feedbacks, trainings, softwaresinformation, advice, feedback, training, software
“as pessoas é”People is waitingPeople are waiting
“estou de acordo”I am agreeI agree
adjetivo concordaimportants pointsimportant points
-ed com sílaba extrawork-ed, talk-ed (duas sílabas)workt, tawkt: uma sílaba; só wanted, needed ganham sílaba
vogal de apoio no fimFacebook-i, help-i, and-iconsoante final seca

Degrau 2 · Combinação (B1–B2): palavra certa, encaixe errado

Aqui o vocabulário está certo e a frase está errada, porque a arquitetura veio do português: a preposição colada ao verbo português, o verbo leve traduzido ao pé da letra, o presente onde o inglês pede present perfect. Não há regra que resolva; é colocação, e colocação se instala como bloco.

Vem do português❌ Lusofonismo✅ Inglês
depender dedepends ofdepends on
discutir sobre, entrar em, comparecer a, responder adiscuss about, enter in, attend to, answer todiscuss, enter, attend, answer (sem preposição)
responsável por, interessado em, encarregado deresponsible by, interested on, in charge forresponsible for, interested in, in charge of
casado com, chegar amarried with, arrive tomarried to, arrive at / in
fazer uma pergunta, fazer um cursomake a question, make a courseask a question, take a course
tomar uma decisão, cometer um errotake a decision, do a mistakemake a decision, make a mistake
fazer uma festa, tomar um cafémake a party, take a coffeethrow a party, have a coffee
“trabalho aqui desde”I work here since 2019I've worked here since 2019
“quanto tempo você”How much time you work here?How long have you worked here?
pergunta embutidaDo you know where is the meeting?Do you know where the meeting is?
explicar-me, dizer-meExplain me / Say meExplain to me / Tell me
a casa do meu pai, a maior partethe house of my father, the most part ofmy father's house, most of
advérbio antes do verboI go always by carI always go by car

Degrau 3 · Pensamento (C1–C2): o lusofonismo que ninguém corrige

Este é o degrau que importa para quem já trabalha em inglês, e é o que quase todo curso ignora, porque não é um erro de língua. A gramática está certa. O que vaza é a retórica do português, o significado de uma palavra que parece igual, e a calibragem de como se pede, se discorda e se abre uma conversa. Sobrevive intacto em gente com C1 e vinte anos de multinacional, porque em vinte anos ninguém disse nada.

O coração do degrau 3: você descreve, o nativo nomeia

É aqui que vejo os fluentes falharem, e é o lusofonismo mais difícil de nomear, porque não há erro. Um executivo me disse, em inglês impecável: “I invested in companies that are failing.” Correto. Natural. Qualquer americano entende. O americano da mesma mesa teria dito “I invest in distressed assets.” A diferença não é gramática nem vocabulário básico. É que o nativo profissional nomeia o que você descreve. Ele tem a palavra que o ofício deu à coisa, o verbo que resume a história inteira, a métrica, a colocação que se usa. Você monta a mesma ideia com peças genéricas, todas certas. A frase sai maior, mais lenta, e soa a quem conhece o assunto de fora, mesmo quando é você quem manda no assunto.

Quatro pares de frases: à esquerda a frase correta que descreve (I invested in companies that are failing; we lowered the price to win the deal; the money we have lasts eight more months; I need the board to agree); à direita o que a mesa diz (distressed assets; we undercut them; eight months of runway; board buy-in).
Nenhuma frase da esquerda tem erro. É por isso que corretor nenhum aponta, e é por isso que elas sobrevivem vinte anos.

Por que isso acontece com quem já é fluente? Porque a rota ainda é a do português. A ideia nasce em português, onde você provavelmente também descreve (“empresas que estão quebrando”, “o dinheiro dá para oito meses”), e a descrição é traduzida com precisão. O nome (distressed assets, runway) só existe em inglês, você o leu cem vezes no Financial Times e nunca o produziu, porque a frase já chegou pronta de trás. E como a descrição é entendida, nada sinaliza. Os cinco mecanismos que mais aparecem na fala executiva:

MecanismoCorreto, natural, e de foraO que a mesa diz
Descrever o que tem nomecompanies that are failing · the money we have until we need more · people who report to me · make the board agreedistressed assets · runway · direct reports · get buy-in
Contar a história em vez do verbowe lowered the price to win · we decided to stop the project · they didn't accept our proposal · we're increasing production little by littlewe undercut them · we pulled the plug · they passed · we're ramping up
A conta em vez da métrica30% more than last year · half of the clients stay · the store that sells the most · what can go wrong is the exchange rateup 30% YoY · 50% retention · our top-performing store · our exposure is FX
Colocação de dicionárioa good relationship · a difficult decision · a very competitive market · a big client · a big problema strong relationship · a tough call · a crowded market · a key account · a major issue
Opinião fora do registroI think that maybe we should… · in my opinion · it is very important · we have to be careful withI'd argue we… · my read is · it's critical · we need to watch
Por que este grupo fossiliza mais do que todos
  1. Não existe erro para apontar. Corretor gramatical passa, colega não nota, o interlocutor entende. Só alguém da casa registra, e registra como impressão (“ele sabe do que fala, mas não é do meio”), não como erro. Ninguém devolve uma impressão.
  2. Você não consegue ouvir em si mesmo. A frase soa normal porque é a sua arquitetura, e provavelmente é a mesma em português. É o único grupo em que gravar e transcrever não basta: na transcrição você lê a frase e acha que está certa. Ela está.
  3. A pergunta que revela não é “isso está errado?”. É “como alguém da casa diria isso?”. Cada frase sua que tem uma resposta mais curta é um lusofonismo deste grupo. O passo 1 do método ganha essa pergunta a mais.
  4. E é o grupo que mais vale. Os degraus 1 e 2 tiram o ruído. Este é o que separa o brasileiro competente do brasileiro que a mesa ouve como par. Posicionamento se faz aqui.

Treine o ouvido antes da boca. Na ferramenta abaixo, as três frases de cada rodada estão certas e naturais; uma é a que a mesa diria. Depois, na segunda aba, produza você mesmo e compare.

Falsos cognatos de alta frequência. O falso cognato é o lusofonismo mais caro porque não soa errado: soa fluente e diz outra coisa. A lista completa está no guia de falsos amigos; aqui ficam só os que aparecem na fala executiva toda semana.

Você dizO que significa de verdadeO que você queria dizer
actuallyna verdade (corrigindo alguém)currently, at the moment
pretendfingirintend, plan to
realizeperceber, dar-se contacarry out, deliver
eventuallyno fim, mais cedo ou mais tardeoccasionally, from time to time
support (suportar)apoiar, sustentarput up with, withstand
comprehensiveabrangente, completounderstanding
assistajudarattend, watch
attend (atender)comparecer aanswer the phone, serve a customer
resumeretomarsummarize, sum up
exquisite (esquisito)requintadoweird, odd
O caso mais caro é actually
  1. Aparece com altíssima frequência na fala executiva e inverte o sentido da frase sem levantar suspeita.
  2. “Actually, we're growing” não é “atualmente estamos crescendo”. É “na verdade, estamos crescendo”, o que implica que alguém acabou de sugerir o contrário.
  3. Você acha que está informando. O outro entende que você está corrigindo. Numa reunião com o board, isso é um problema de posicionamento, não de vocabulário.

Discurso: o ponto no fim. O português constrói o contexto antes de chegar ao ponto. O inglês corporativo faz o inverso. Você abre com o histórico, a justificativa, as circunstâncias, e entrega a conclusão no último parágrafo. O leitor americano ou britânico decidiu, na terceira frase, que você está enrolando, e no celular ele nem chegou à terceira. Este é o lusofonismo mais invisível de todos, porque não há uma palavra errada para apontar. É a arquitetura inteira.

Formalidade e conectivos traduzidos. I would like to inform you that, I am writing to you in order to, Dear Sir. Em português isso é respeito profissional. Em inglês corporativo soa jurídico ou datado. O mesmo vale para besides that, moreover, furthermore, in order to: todos existem, todos são raros na fala real, e todos aparecem em profusão no inglês de brasileiro porque traduzem “além disso”, “ademais”, “a fim de”.

Você escreve (traduzindo)O inglês real, mais curto do que você se sente confortável
I would like to inform you that the meeting was postponed.The meeting's been moved to Thursday.
I am writing to you in order to request…Could you send me…?
Besides that, moreover, furthermoreAlso. And. (ou nada: a frase seguinte basta)
In order to reduce costs, we…To cut costs, we…
I remain at your entire disposal.Happy to help if anything comes up.
Thanking you in advance for your kind attentionThanks!

Pragmática: pedir, discordar, abrir. O português brasileiro suaviza pedidos com diminutivo e circunlóquio; o inglês suaviza com estrutura modal. “Send me the report” não é grosseiro em português traduzido, mas é em inglês. “Could you send me the report?” não é subserviência: é o registro neutro. Discordar tem o problema inverso: o brasileiro discorda de forma indireta demais para o padrão anglo, ao ponto de o outro não registrar que houve discordância. “I think maybe we could also consider…” é lido como concordância com uma sugestão adicional, não como objeção. E small talk não é conversa fiada; é protocolo de abertura. Pular direto para o assunto, que em português brasileiro sinaliza objetividade, em inglês sinaliza desconforto ou frieza.

Ritmo e os pares que causam mal-entendido. O português dá peso parecido a cada sílaba; o inglês esmaga as átonas em schwa e alonga as tônicas. Falar inglês com métrica de português é o que faz a fala soar “marcada” mesmo quando cada som individual está correto: é o padrão de maior impacto e o mais lento de mudar. Junto dele, dois pontos de pronúncia entram no grupo dos que custam (e não no de sotaque): o par /ɪ/ e /iː/, porque ship e sheep, live e leave geram mal-entendido real, e a sílaba tônica no lugar errado, porque errar a tônica derruba a compreensão mais rápido do que errar o fonema.

🎧 Ouça a diferença
Ouça o par e repita. Em cada um, o que muda é a duração da vogal ou a posição da tônica, não o “sotaque”.

O que fica: sotaque é posicionamento

A qualidade das suas vogais. O seu /r/. Tuesday saindo “tchusday”, team saindo “tchim”, um think que às vezes vira “tink”. O fato de que qualquer americano identifica em três segundos que você não é americano. Nada disso custa significado nem credibilidade. Eliminar o primeiro grupo é técnica. Manter este é posicionamento: um executivo brasileiro com inglês limpo e sotaque próprio é mais crível numa mesa internacional do que um que tenta soar de Ohio e não consegue.

Faça o seu mapa: o que ainda sai sob pressão

Não leia a escada concordando. Conte. Passe pelos três degraus e marque os itens que você comete com frequência: não os que reconhece como erro, mas os que ainda saem da sua boca no meio de uma call, quando você não está monitorando. O mapa devolve em qual degrau os seus se concentram, quantos custam e quantos são sabor, e os três primeiros alvos na ordem em que o método manda atacar.

Por que o avançado não evolui sozinho

Todo executivo com inglês funcional já tentou “melhorar o inglês” e descobriu que aula de gramática não muda nada. Não é falta de esforço. É que os lusofonismos do degrau 3 têm três propriedades que os tornam imunes ao jeito normal de aprender.

  1. Zero feedback. O interlocutor entendeu. A reunião seguiu. Ninguém vai interromper o diretor de uma multinacional para dizer que actually não é atualmente. O erro de forma tem quem corrija; o erro de pensamento passa.
  2. Monitoramento caro. Você sabe a forma certa. Ela só sai quando você está vigiando, e a reunião de verdade (o Q&A hostil, o cliente que pede para justificar o número) tira a vigilância. Sob pressão a rota mais antiga vence, e a mais antiga é a do português.
  3. A ilusão do vocabulário. A resposta instintiva é aprender mais palavras. Mas o lusofonismo não é falta de palavra; é excesso de português na montagem. Trinta palavras novas passam pela mesma rota e saem com o mesmo sotaque de pensamento.
Diagrama circular: você diz a forma traduzida, todos entendem, ninguém corrige, você repete e a forma fossiliza; o método entra entre “todos entendem” e “ninguém corrige”, com a gravação.
Entre “todos entendem” e “ninguém corrige” não existe correção natural. Quem quer evoluir precisa fabricar o sinal.

O nome disso na literatura de aquisição é fossilização: a forma incorreta se estabiliza porque nada no ambiente a desestabiliza. E a consequência prática é a que separa este texto de uma lista de erros: o avançado não precisa de mais input. Precisa de um sinal de erro artificial e de um procedimento para agir sobre ele. É isso que vem a seguir.

O método: cinco passos para tirar um lusofonismo

O procedimento abaixo é o que uso com executivos que já trabalham em inglês. Ele segue o princípio central do ANLF: nunca empilhar dificuldades, isolar um obstáculo de cada vez. A diferença para o básico é que, no avançado, o obstáculo primeiro precisa ser encontrado, porque ninguém vai apontá-lo para você.

Passo 1 · Fabricar o sinal: gravar e transcrever

Mesa de home office à noite: celular apoiado gravando, caderno aberto com caneta, luminária acesa e as mãos de uma pessoa fora de foco.

Grave três minutos de você falando, em inglês, sobre o seu trabalho: o que a sua área faz, o problema da semana, a decisão que precisa tomar. Sem roteiro. Depois transcreva (qualquer ferramenta de ditado serve) e leia a transcrição como se fosse de outra pessoa. Marque cada lusofonismo. Você vai encontrar mais do que espera, e vai encontrar os que a lista genérica não tinha, porque são seus.

Depois passe a transcrição uma segunda vez com a pergunta que pega o grupo invisível: “como alguém da casa diria esta frase?”. Cole a transcrição no tutor de IA ou no corretor com exatamente essa instrução, e diga o seu ofício (I work in private equity / supply chain / pharma sales. Rewrite each sentence the way a senior native speaker in my field would say it in a meeting, using the terms the field uses, and tell me what changed): cada frase que volta mais curta, com um nome no lugar da sua descrição, é um lusofonismo deste grupo. Separe o que marcou em duas colunas: custa (significado, credibilidade, registro, arquitetura) e sabor (sotaque). Só a primeira coluna vai adiante. Se quiser um ponto de partida já gravado, o teste das duas fluências grava três respostas suas e devolve a análise da fala; para a versão escrita, cole um e-mail seu no corretor, que aponta os lusismos que escaparam.

Passo 2 · Um por vez, o mais caro primeiro

A lista da coluna “custa” costuma ter de cinco a doze itens. Você não vai atacar doze. Vai atacar um, e só passa ao seguinte quando o primeiro sobreviver à pressão (passo 4). Atacar vários ao mesmo tempo é a versão adulta de “the ball is with my mother”: empilha dificuldades e trava tudo.

Como escolher o primeiro alvo
  1. Custo × frequência. Custo é o que a forma cobra: um falso cognato que inverte o sentido custa mais do que uma preposição trocada. Frequência é quantas vezes por semana ela sai. O produto dos dois ordena a lista.
  2. Na dúvida, actually. Alta frequência, custo máximo, e a correção é um bloco de uma palavra: currently.
  3. O discurso entra na lista como um item só: “o ponto primeiro”. É um hábito, não vinte, e se corrige com um exercício, não com vocabulário.

Passo 3 · Substituir, não suprimir: o bloco pronto

Aqui está o erro de quase toda tentativa de autocorreção: tentar não dizer o lusofonismo. Suprimir custa atenção, e atenção é exatamente o que a reunião tira de você. O que funciona é instalar a forma alvo como bloco pronto, uma unidade que sai inteira, sem montagem. Você não aprende que depend pede on; você passa a ter a palavra depends-on, uma coisa só. Não aprende a regra do present perfect; passa a ter I've-been-here-since.

Regra (não funciona sob pressão)Bloco pronto (sai inteiro)
“Depend rege a preposição on”depends on · depending on · it depends on the
“Idade se expressa com o verbo be”I'm 42 · she's 35 · he's in his forties
“Atualmente é currently, não actually”Currently, we… · At the moment, we… · Right now, we…
“Present perfect para ação que continua”I've been here since 2019 · I've worked with them for six years
“Pedido em inglês usa modal”Could you… by Friday? · Would you mind…?
“Discordância precisa ser explícita”I see it differently: … · I don't think that's right, because…
“Distressed assets é o nome disso”distressed assets · runway · buy-in · direct reports · undercut · up 30% YoY

Para o grupo que descreve, o bloco é o nome, e a fonte do nome não é o dicionário: é o input do seu ofício em inglês. Earnings calls, memos da matriz, o Financial Times da sua área, o podcast do setor. Você já lê tudo isso. O que muda é a operação: toda vez que encontrar um termo que você teria descrito, anote-o ao lado da sua descrição. Companies that are failing → distressed assets. The money lasts eight months → eight months of runway. We lowered the price to win → we undercut them. Em um mês sai um glossário pessoal de trinta a cinquenta pares, e nenhum deles é vocabulário novo: são palavras que você reconhece há anos e nunca produziu, porque a frase chegava pronta do português. O treino é o mesmo do bloco: cada nome em cinco frases suas, em voz alta, até sair antes da descrição.

Como instalar o bloco: diga-o em voz alta, dentro de cinco frases diferentes suas (do seu trabalho, com os seus números), duas vezes por dia, por uma semana. Não escreva; fale. O bloco precisa existir na boca, não no caderno. Para os falsos cognatos, o treino de False Friends faz o mesmo trabalho com 145 palavras, escolhendo entre a armadilha e o significado real.

Para o discurso, o bloco é um micro-roteiro: primeira linha = o que eu quero; segunda = por quê; terceira = o que preciso do outro; o resto = contexto, se ainda couber. O exercício abaixo treina exatamente isso: três e-mails reais escritos na ordem do português, para você remontar na ordem que o leitor anglo espera.

Passo 4 · Testar sob pressão

Videochamada vista por cima do ombro de uma pessoa sentada num escritório escuro, inclinada para a frente diante da tela do notebook.

O bloco instalado no caderno sobrevive ao caderno. A pergunta é se sobrevive à reunião. O lusofonismo volta quando a atenção sai, então o teste precisa tirar a atenção: tempo curto, sem ensaio, respondendo em vez de recitando. Numa aula, isso é um Q&A hostil conduzido pelo professor. Sozinho, é o drill abaixo: uma frase em português, um relógio de seis segundos, e a forma tem de sair antes de o tempo acabar, falando ou digitando. O critério de sucesso não é saber a forma. É ela sair sem você mandar.

A coluna da direita, no fim do drill, é a sua lista real. Ela costuma ser diferente da lista do passo 1, e a diferença é informação: o que você sabe e mesmo assim cai é o que precisa de mais bloco; o que caiu por silêncio precisa de menos monitoramento e mais exposição. Quando um item sobreviver ao drill três vezes em dias diferentes, ele está pronto. Aí, e só aí, você passa ao próximo.

Passo 5 · Remedir: curva, não duas pontas

A cada duas semanas, repita o passo 1 nas mesmas condições: mesmo tema, mesma duração, mesmo horário. Conte os lusofonismos da coluna “custa”. Duas medições produzem uma barra que qualquer dia ruim distorce; seis medições produzem uma curva, e curva não mente. Guarde as gravações: a comparação do áudio de hoje com o de três meses atrás é mais persuasiva do que qualquer número, porque você se ouve.

E há uma lista curta do que a curva nunca vai mostrar, e que você não deve esperar dela: sotaque zero, salto de nível CEFR, “fluência” em prazo. O que ela mostra é uma coisa só, e é a que importa: a rota mudando. Menos lusofonismos por minuto significa menos português na montagem, e menos português na montagem é exatamente o que reduz a fadiga no fim da call de uma hora.

Quiz: o lusofonismo que ninguém corrige

🎮 Teste agora

Só degrau 3

Todas as opções são gramaticalmente corretas. A pergunta é qual diz o que você quer dizer, no registro que a sala espera.

Abrindo a apresentação para o board, você quer dizer “atualmente temos 40 clientes”: “ _____ , we have 40 clients.”
Você discorda da meta. A frase que o CFO vai registrar como discordância é: “ _____
Você precisa do relatório até sexta, de um par na matriz. O registro neutro é: “ _____
O e-mail avisa que a entrega atrasou uma semana. A primeira linha deve ser: “ _____
“We _____ the project in 2024.” (concluímos / realizamos)
Você investe em empresas em dificuldade. Todas estão certas; a que a mesa diria: “ _____
“Baixamos o preço para ganhar a concorrência.” A versão da mesa: “ _____
Na call, o americano abre com “How was your weekend?”. O que isso é: _____

Um plano de 30 dias para o primeiro lusofonismo

O método inteiro cabe num mês, para um item. É pouco? É o contrário: um lusofonismo de alto custo a menos, por mês, sem voltar, é mais do que a maioria dos executivos consegue em um ano de aula genérica. E o segundo item sai mais rápido do que o primeiro, porque o procedimento já existe.

  1. Dias 1 a 3 · Sinal. Gravar três minutos, transcrever, marcar, separar “custa” de “sabor”. Fazer o mapa acima e o drill sob pressão uma vez. Escolher um alvo por custo × frequência.
  2. Dias 4 a 10 · Bloco. A forma alvo em cinco frases suas, em voz alta, duas vezes por dia. Se o alvo for discurso, um e-mail real por dia reescrito de trás para frente antes de enviar.
  3. Dias 11 a 17 · Pressão. Drill em dias alternados. Numa reunião real, escolher uma pergunta e responder com o bloco, de propósito. Anotar se saiu sem mandar.
  4. Dias 18 a 24 · Sobrevivência. O item precisa sobreviver ao drill três vezes em dias diferentes. Se cair, voltar ao bloco por mais três dias; não avançar.
  5. Dias 25 a 30 · Remedição e próximo alvo. Gravar de novo nas mesmas condições, contar, comparar com o dia 1. Escolher o segundo alvo. O primeiro não sai da lista: sai da vigilância.

Faça o mapa na sua fala real, com um professor

A primeira sessão é exatamente o passo 1 feito a dois: você fala, a gente transcreve e devolve os seus lusofonismos separados entre os que precisam sair e os que você deveria manter de propósito, com o primeiro alvo escolhido e o bloco pronto para instalar.

Perguntas frequentes

O que é um lusofonismo?
É o português vazando para dentro do inglês: a palavra, a preposição, a estrutura da frase ou a ordem do argumento montadas em português e traduzidas. “I have 30 years”, “depends of”, “actually” por atualmente e o e-mail com o ponto no último parágrafo são todos lusofonismos, de degraus diferentes.
Por que eu ainda cometo esses erros depois de anos falando inglês?
Porque ninguém corrige. No básico o professor aponta; no avançado o interlocutor entende, a reunião segue e a forma se estabiliza. É a fossilização: sem sinal de erro, não há motivo para o cérebro trocar a rota. O método existe para fabricar esse sinal.
Preciso perder o sotaque?
Não, e não deveria tentar. Sotaque (vogais, o /r/, a palatalização de “Tuesday”) não custa significado nem credibilidade. O que custa é o lusofonismo de significado (pretend, actually), de registro (imperativo seco) e de discurso (o ponto no fim). Esses saem; o sotaque fica, de propósito.
Quanto tempo leva para tirar um lusofonismo?
Um item de alto custo em cerca de trinta dias, seguindo os cinco passos: sinal, um por vez, bloco pronto, pressão, remedição. O segundo sai mais rápido, porque o procedimento já existe. O erro é tentar tirar doze ao mesmo tempo, que é empilhar dificuldades.
Minha frase está certa e natural. Por que ainda soa a estrangeiro para o nativo?
Porque você descreve o que ele nomeia. “I invested in companies that are failing” está correto; a mesa diz “I invest in distressed assets”. O nativo profissional tem o nome que o ofício deu à coisa, o verbo que resume a história (undercut, pulled the plug), a métrica (up 30% YoY) e a colocação (a tough call). Não há erro para corrigir; há um nome para instalar no lugar da descrição, e a pergunta que revela é “como alguém da casa diria isso?”.
Qual é o lusofonismo mais caro para um executivo?
Actually querendo dizer atualmente. Aparece toda semana, inverte o sentido da frase (soa como se você estivesse corrigindo alguém) e ninguém avisa. Logo atrás vêm pretend por pretender e o e-mail com a conclusão no fim.

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