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Trolley problem em inglês: o dilema do bonde, explicado caso a caso

Um bonde desgovernado vai matar cinco pessoas, e você está ao lado da alavanca. Doze variações do dilema mais famoso da filosofia moral, em inglês: escolha, veja a ideia por trás de cada caso e o melhor argumento de cada lado, e descubra o seu mapa moral.

Pull the Lever?

12 dilemmas from moral philosophy. No right answers.

Pull the Lever? é uma atividade de conversação em inglês para adultos a partir do trolley problem, o dilema do bonde: doze casos da filosofia moral, de Philippa Foot a Peter Singer. Você escolhe, vê a ideia por trás de cada caso e os argumentos dos dois lados, descobre o seu mapa moral e conversa sobre ele. Grátis, sem cadastro.

O que é o trolley problem

Um bonde desgovernado vai atropelar cinco pessoas. Você está ao lado de uma alavanca que o desvia para outro trilho, onde há uma pessoa só. Puxa ou não puxa? A filósofa britânica Philippa Foot propôs o caso em 1967; a americana Judith Jarvis Thomson deu o nome e inventou as variações mais famosas, como a da ponte e a do laço.

O interesse nunca foi o bonde. Cada variação muda um detalhe só (empurrar em vez de puxar, um parente em vez de um estranho, um risco em vez de uma certeza) e observa se a resposta muda. Quando muda, o detalhe revela um princípio moral que a pessoa usa sem saber que usa. Hoje o problema é discutido também por quem programa carros autônomos.

Como funciona

1
Leia o dilema e escolha
Cada caso tem o desenho dos trilhos, três ou quatro frases em inglês e duas opções. Não há certo nem errado.
2
Veja a ideia por trás
A escolha abre o conceito filosófico do caso, o autor, o melhor argumento de cada lado e, quando existe, quantos por cento das pessoas escolheram o mesmo num estudo grande.
3
Mapa moral e conversa
No fim, o seu lugar em dois eixos (resultados ou regras; todos iguais ou os seus primeiro) e quatro perguntas, uma por tela, para conversar com o professor.

Os 12 dilemas, explicados

1. The Switch · Consequentialism

É o caso que Philippa Foot propôs em 1967, num artigo sobre o aborto. A pergunta dela não era "quantos morrem", e sim se matar alguém e deixar alguém morrer são moralmente a mesma coisa. Quem puxa a alavanca raciocina como um consequencialista (Bentham, Mill): o certo é o que produz o melhor resultado, e cinco vidas valem mais que uma. Quem não puxa costuma apelar para a diferença entre fazer e permitir: se você não toca em nada, a morte dos cinco é obra do bonde; se puxa, a morte do um é obra sua.

2. The Footbridge · Never use a person as a tool

Judith Jarvis Thomson trouxe este caso em 1976 e deu ao problema o nome de trolley problem. Os números não mudam, mas a maioria das pessoas muda de resposta. A explicação clássica é de Kant: nunca trate uma pessoa apenas como meio para os fins dos outros. O operário do desvio morre por azar, porque estava no caminho; o homem da ponte morre porque você precisa do corpo dele. Joshua Greene, de Harvard, mostrou em 2001 que empurrar ativa no cérebro áreas ligadas à emoção muito mais do que puxar uma alavanca, e defende que essa intuição é um alarme antigo, não um argumento.

3. The Loop · The doctrine of double effect

Thomson criou o desvio em laço em 1985 para testar a doutrina do duplo efeito, que vem de Tomás de Aquino: um dano pode ser aceito como efeito colateral de uma boa ação, mas nunca usado como meio. No caso da alavanca simples, se o operário do desvio pulasse para fora, ótimo: você salvou os cinco do mesmo jeito. No laço, não: se ele sair, o bonde dá a volta e mata os cinco. A morte dele virou o meio. Por essa doutrina, puxar aqui é errado, e muita gente sente o caso no meio do caminho entre a alavanca e a ponte.

4. The Surgeon · Rights, and rules that work

O cirurgião é o caso que quase todo mundo recusa, inclusive quem puxou a alavanca. Há duas leituras. A dos direitos: algumas coisas não se fazem com uma pessoa, seja qual for o ganho, e cinco necessidades não somam um direito de matar. A do consequencialismo de regras (Brad Hooker): julgamos regras, não atos isolados, e a regra "médicos podem matar pacientes saudáveis" produziria um mundo em que ninguém vai ao hospital. O resultado agregado de seguir boas regras é melhor do que calcular caso a caso.

5. The Fog · Expected value and risk

Aqui entra o risco. O consequencialista calcula o valor esperado: 50% de cinco mortes são 2,5 mortes, mais que uma, então se puxa. Johann Frick, em 2015, propôs olhar pessoa por pessoa, como faria o contratualismo de Scanlon: cada um dos cinco tem 50% de chance de viver, enquanto quem está no desvio tem zero. Dividir um risco entre muitos pode ser mais justo do que impor uma morte certa a um. É o mesmo raciocínio de quem discute vacinação obrigatória e políticas públicas de segurança.

6. The Offer · Integrity

É a versão de alavanca de "Jim e os índios", de Bernard Williams (1973). Williams até achava que Jim provavelmente deveria aceitar, mas criticava a facilidade com que o utilitarista chega lá: ele trata você como uma máquina que produz estados do mundo e ignora que seria você quem matou. Para Williams, a integridade, a relação entre quem você é e o que você faz, conta. Quem recusa costuma dizer também que a culpa é de quem ameaça, não de quem se nega a participar.

7. Your Own Life · Beyond duty

Thomson voltou ao problema em 2008 e mudou de opinião usando este caso. Se você não desviaria o bonde para si mesmo, com que direito o desvia para um estranho? O conceito de fundo é a supererrogação (J. O. Urmson, 1958): atos heroicos são admiráveis, mas não obrigatórios. Para Thomson, se morrer pelos cinco é heroísmo e não dever, impor essa morte a outra pessoa é pior ainda. A pergunta mede o quanto a pessoa aplica a si mesma a regra que aplica aos outros.

8. Someone You Love · One thought too many

As teorias imparciais (utilitarismo, Kant) dizem que cada pessoa conta como uma, seja quem for. Bernard Williams respondeu em 1981 com uma frase famosa: o homem que, ao salvar a esposa em vez de um estranho, para e pergunta se isso é permitido, teve "um pensamento a mais". A ética do cuidado (Carol Gilligan, Nel Noddings) vai na mesma linha: a moral começa nas relações concretas, não num ponto de vista de lugar nenhum. O utilitarista responde que as outras cinco famílias também amam os seus.

9. Your Dog · Speciesism and special ties

Peter Singer cunhou o termo "especismo" em Libertação Animal (1975): favorecer um ser só por ser da nossa espécie, como o racismo favorece uma raça. Mesmo Singer costuma salvar o humano, porque em geral há mais vida em jogo. O que torna o caso difícil não é a espécie, é o vínculo: o estranho é um humano que você não conhece; o cachorro é da família. No estudo Moral Machine (Awad et al., Nature, 2018), com milhões de respostas, poupar humanos em vez de animais foi uma das preferências mais fortes do mundo inteiro.

10. The Price of Saving · The drowning child

É a versão de bonde do argumento mais famoso de Singer, "Famine, Affluence, and Morality" (1972): se você estragaria sapatos caros para tirar uma criança de um lago, a distância não deveria mudar nada, e você também deveria doar o dinheiro que salva uma criança longe daqui. Quase todo mundo puxa a alavanca e perde o notebook. A conversa boa começa depois: o que separa o notebook na frente do bonde do dinheiro que fica na conta todo mês?

11. The Self-Driving Car · The social dilemma

Jean-François Bonnefon, Azim Shariff e Iyad Rahwan publicaram na Science, em 2016, o "dilema social" dos carros autônomos: a maioria quer que os carros dos outros salvem o maior número, mas prefere comprar um carro que proteja o passageiro. Se cada um escolher o próprio interesse, os carros na rua serão os egoístas. É um problema clássico de ação coletiva, e por isso a pergunta da conversa é quem deve decidir: o comprador, a empresa ou o governo.

12. Young and Old · Counting lives or years

Este caso separa dois jeitos de contar: vidas ou anos de vida. Se cada vida conta como uma, salvam-se os cinco. Mas muitos sistemas de saúde decidem por anos de vida ajustados por qualidade (QALY), e o economista Alan Williams defendeu em 1997 o argumento do "fair innings": todo mundo tem direito a uma vida completa, e quem já viveu noventa anos já teve a sua. No Moral Machine, poupar os jovens foi uma das preferências mais fortes, mas com variação entre culturas: países do Leste Asiático pouparam menos os jovens em relação aos idosos.

Os quatro perfis do mapa moral

O mapa cruza duas perguntas que atravessam a filosofia moral. A primeira: o certo é o que dá o melhor resultado ou o que respeita certas regras? A segunda: todos contam igual, ou quem está perto de você conta mais?

The Calculator · consequencialismoO certo é o que produz o melhor resultado, contando todos igualmente. Jeremy Bentham, John Stuart Mill, Peter Singer.
The Judge · deontologiaHá coisas que não se fazem, seja qual for o resultado, e a regra vale também para você. Immanuel Kant, W. D. Ross.
The Captain · consequencialismo com laçosFaz a conta com estranhos, mas os seus vêm primeiro. David Hume: o cuidado é mais forte com quem está perto e enfraquece com a distância.
The Guardian · ética do cuidadoNão mata para melhorar os números e não abre mão dos seus. Bernard Williams, Carol Gilligan, Nel Noddings.

Frases para a conversa em inglês

A conversa pede três movimentos: justificar, apontar uma incoerência e conceder. Estas frases cobrem os três:

I'd pull the lever, because five lives matter more than one.Eu puxaria a alavanca, porque cinco vidas pesam mais que uma.
It's one thing to let someone die; it's another to kill them.Uma coisa é deixar alguém morrer; outra é matar.
The numbers are the same, but it feels completely different.Os números são os mesmos, mas a sensação é completamente diferente.
If I wouldn't do it to myself, I have no right to do it to him.Se eu não faria isso comigo, não tenho o direito de fazer com ele.
I see your point, but where do you draw the line?Entendo seu argumento, mas onde você põe o limite?
That's consistent with what you said about the surgeon.Isso é coerente com o que você disse sobre o cirurgião.

Para professores: uma aula de conversação pronta

O aluno escolhe sozinho, antes de abrir a ideia: a escolha precisa ser dele. Depois, o professor procura incoerências entre os casos. Quem puxou a alavanca e recusou a ponte precisa dizer o que mudou; quem desviou o bonde para um estranho e não para si mesmo precisa responder à pergunta de Thomson. Explicar a diferença entre dois casos parecidos é exatamente o inglês de quem defende uma decisão numa reunião.

Perguntas frequentes

O que é o trolley problem (dilema do bonde)?

É um experimento mental da filosofia moral: um bonde desgovernado vai matar cinco pessoas, e você pode desviá-lo para um trilho onde ele mata uma. Foi proposto por Philippa Foot em 1967 e batizado por Judith Jarvis Thomson em 1976. Serve para separar intuições: matar e deixar morrer, usar alguém como meio ou causar um efeito colateral, contar vidas ou respeitar direitos.

Existe resposta certa?

Não. Cada escolha tem uma tradição filosófica séria por trás, e a atividade mostra os dois lados de cada caso. O que existe são respostas coerentes ou incoerentes entre si: quem puxa a alavanca e não opera no caso do cirurgião precisa explicar a diferença, e é essa explicação que vira conversa.

Qual nível de inglês eu preciso ter?

A partir do B1. Os dilemas têm três ou quatro frases curtas, com as palavras difíceis explicadas embaixo. A explicação filosófica e a conversa do final rendem mais no B2 e no C1, porque pedem para justificar, concordar e discordar.

Preciso de cadastro?

Não. A atividade é gratuita e roda inteira no navegador, sem login. No fim, quem quiser recebe por e-mail o relatório completo, com as suas escolhas e a explicação de cada caso.

Quanto tempo leva?

Os 12 dilemas levam de 15 a 20 minutos, lendo a ideia por trás de cada um. Numa aula, a conversa do final costuma render mais 15 a 20 minutos.

De onde vêm as porcentagens?

De dois estudos publicados: Awad e colegas (PNAS, 2020), com 70 mil pessoas em 42 países (81% puxam a alavanca, 72% no laço, 51% empurram da ponte), e Bonnefon, Shariff e Rahwan (Science, 2016), sobre carros autônomos (76% acham que o carro deve sacrificar o passageiro para salvar dez pessoas).

Posso usar em sala de aula?

Pode. Projete a página, leia o dilema em voz alta e peça que cada aluno vote antes de abrir a ideia. Quem escolheu a minoria defende primeiro. As quatro perguntas do final servem de roteiro para o debate.

Converse em inglês sobre o que você pensa

Atividades como esta são o material das nossas aulas de conversação: você defende uma posição, o professor corrige na hora e o inglês sai do papel. Para começar, descubra seu ponto de partida no teste de nível de inglês grátis ou experimente outro dilema no The Lifeboat. Conheça também as outras ferramentas gratuitas da Lingualize.