TheRoundsGame
Accuracy. Time. Rapport. Rounds start at seven.
The Rounds é um jogo gratuito para aprender inglês para médicos: o inglês de quem passa visita numa enfermaria americana. One-liner, assessment and plan, informed consent, goals of care, code status, sign-out. Você é residente de clínica médica do Halverson Memorial e, às sete da manhã, 6 pacientes chegam no chat como prontuário: os exames, a nota de quem viu antes e uma mensagem. Três colegas perguntam o que você vai fazer, e o attending quer o caso apresentado em uma frase.
Saber a palavra não é saber apresentar o caso
Médico brasileiro lê artigo em inglês todo dia. O que trava é o passo seguinte: transformar o que você viu no paciente em uma frase que sobreviva à pergunta do attending, em inglês, com a sua avaliação na frente e os números atrás. Ler os exames em voz alta quando ele pediu assessment and plan. Repetir o diagnóstico da noite porque ele já estava escrito. Perguntar “do you have any questions?” e tomar o silêncio por entendimento.
É esse inglês que está nas cartas. E tem uma regra escondida no baralho, que é a tese do jogo: no round, a resposta rápida e a resposta certa raramente são a mesma. Continuar o diurético porque está na prescrição é mais rápido do que reabrir o diagnóstico. Arquivar o termo assinado às três da manhã é mais rápido do que a conversa de consentimento. As duas escolhas ganham Time e afundam Accuracy — e as duas parecem razoáveis com vinte pacientes na lista.
O prontuário: o que chega antes da pergunta
Cada paciente entra na conversa como um arquivo compartilhado, e a informação chega aos poucos — a pasta abre com o essencial e cada documento novo chega como anexo, logo antes da pergunta que precisa dele. É o formato com que a informação chega a um residente às sete da manhã, e é o que o jogo treina você a ler rápido.
- Os números — sinais vitais, hemoglobina, escores, o que foi dado durante a noite. Às vezes a resposta está numa coluna que ninguém comparou com a de ontem.
- A nota de quem viu antes — o time da noite, o pronto-socorro, a farmácia. Ela traz um diagnóstico pronto, e o jogo quer saber se você vai herdá-lo ou conferi-lo.
- A mensagem — a família ou o próprio paciente, com o dado que nenhuma tabela registra: a panturrilha dolorida desde o voo, as fezes escuras desde o fim de semana.
Os documentos batem entre si de propósito, e a resposta certa quase nunca está em um deles sozinho. Para o passo a passo escrito da consulta, comece por consulta médica em inglês.
Os 6 pacientes da lista
Nenhum deles é caso de livro. Cada um carrega uma armadilha diferente, e quase todas são erros de raciocínio ou de comunicação, não de conhecimento.
- Room 412 · Harold Jensen, 71 — Short of breath · admitted overnight.
- Room 407 · Leon Park, 66 — Dizzy and tired · admitted from the ER at 03:10.
- Room 420 · Margaret Olsen, 84 — Confused · admitted yesterday with a urinary infection.
- Room 415 · Kevin Doyle, 41 — Pancreatitis · day 2.
- Room 403 · Aisha Rahman, 29 — Headache · third visit this week.
- Room 409 · Walter Briggs, 77 — Pneumonia, day 4 · lives alone.
Quem pergunta do outro lado
Quatro interlocutores, e cada um cobra uma leitura diferente do mesmo paciente. Eles falam com voz. Os termos da área vêm sublinhados na fala e na pasta e traduzem na hora; qualquer outra palavra também traduz ao toque, sem sair do jogo.




Os 24 termos que você treina
Um baralho por lente. Dá para treinar uma parte do round de cada vez — a história, a prescrição, a beira do leito, a apresentação — antes de encarar o dia inteiro, que embaralha as quatro com risco real.
History & Workup
- anchoring — ancoragem: ficar preso ao primeiro diagnóstico que se ouviu e ler todo dado novo através dele; o antídoto em inglês é a pergunta what else could this be?
- leading question — pergunta que induz a resposta (“você não está sangrando, está?”); paciente educado dá a resposta que a pergunta espera
- delirium — delirium: alteração aguda e flutuante da atenção, com causa a investigar; em idoso é confundido com demência, que leva meses, não horas
- last drink — a última dose: a pergunta que data a abstinência alcoólica, cujo pico costuma vir entre 24 e 72 horas; pede-se o horário, não o dia
- red flag — sinal de alarme: o achado que muda a urgência do caso; costuma estar na história e nos sinais vitais, não no exame de imagem
- medication reconciliation — conciliação medicamentosa: comparar, linha por linha, a lista de casa com o que foi feito no hospital, para que cada remédio da alta seja mantido, suspenso ou trocado de propósito
Orders & Meds
- hold — suspender doses sem cancelar a prescrição; a boa suspensão vem com parâmetro (hold if systolic below 90)
- threshold — limiar: o valor abaixo do qual se age; para transfusão, 7 é a regra geral e 8 para quem tem doença coronariana
- PRN — se necessário (do latim pro re nata): a prescrição PRN é permissão, não ordem; espera-se tentar o mais simples antes
- symptom-triggered — guiado por sintomas: dose conforme um escore (como o CIWA), e não conforme o relógio
- stat — imediatamente (do latim statim); o pedido stat passa na frente de tudo, e por isso se usa pouco e a sério
- pending — pendente de algo específico: “alta pendente da fisioterapia” dá à equipe uma condição e um horário, em vez de um sim ou não
At the Bedside
- working diagnosis — hipótese diagnóstica de trabalho: a melhor explicação até agora, aberta a mudar; dizer o termo prepara a família para a mudança
- informed consent — consentimento informado: uma conversa (o procedimento, riscos, alternativas, o que acontece se não fizer), e não um formulário; a assinatura só registra que a conversa aconteceu
- goals of care — objetivos de cuidado: a conversa que começa pelos valores do paciente (o que mais importa para ele) e só depois chega a RCP, intubação e UTI
- alcohol use disorder — transtorno por uso de álcool: o termo clínico atual nos EUA; rótulos como alcoholic envergonham e afastam do tratamento
- you were right to — “você fez bem em…”: valida a decisão do paciente antes de qualquer explicação; quem se sente ouvido volta mais cedo da próxima vez
- teach-back — pedir ao paciente que explique de volta, com as próprias palavras; testa a sua explicação, não a inteligência dele
The Presentation
- one-liner — a frase de abertura da apresentação de caso: idade, história relevante, problema atual e o que você pensa agora; nunca copiada da nota de ontem
- assessment and plan — avaliação e conduta: o que você acha que é, e por quê, seguido do plano problema por problema; o attending já tem os números
- code status — status de reanimação: full code (reanimar) ou DNR (não reanimar); sem decisão registrada, o padrão é full code, nunca uma suposição pela idade
- consult — interconsulta: sempre com uma pergunta específica (we are asking you to…); “por favor avaliar” rende uma nota e nenhuma decisão
- incident report — notificação de evento adverso: fatos, sem culpados, e uma correção de processo na última linha
- sign-out — passagem de plantão no inglês americano: gravidade, a frase do caso e o plano “se isso, então aquilo”, para quem fica não precisar ligar para você
Como funciona
Três medidores reagem a cada escolha, cada um com sua própria regra de fim de jogo. Accuracy chegando a zero é um diagnóstico perdido que chegou ao paciente, e acaba na hora. Time abaixo de 28 em três momentos quaisquer e a lista para: altas para a noite, pronto-socorro cheio esperando os seus leitos. Rapport abaixo de 25 por três horas seguidas, ou quatro das últimas cinco, e a equipe passa a conferir os seus planos com a residente sênior antes de agir.
Leve os três acima de 70 ao mesmo tempo e você vira Chief Resident. Quem chega lá entra no ranking: vence quem precisa de menos horas, e o tempo de relógio desempata.
Para turmas, ligas acadêmicas e preparatórios
Se você dá aula de inglês médico, o prontuário resolve o problema mais chato da aula: o insumo. Cada caso é um texto autêntico e curto, com tabela, nota e mensagem — três registros diferentes na mesma tela. Projete um paciente, dê dois minutos de leitura e peça o one-liner em inglês antes de mostrar a carta do attending. Em duplas, um aluno defende a resposta rápida e o outro a certa. Como tarefa, peça a partida inteira e use o relatório que chega por e-mail como pauta.
O que a turma leva para a enfermaria não é a lista de 24 termos. É ter sentido, com consequência na tela, que o atalho que economiza dez minutos no round é quase sempre o que custa o dia.
Do jogo para o round de verdade
Apresentar bem para um attending fictício é divertido. Sustentar a sua avaliação em inglês quando alguém interrompe no meio da frase e pergunta por que não é outra coisa, é outra história — e é isso que a gente treina nas aulas da Lingualize: os seus casos, a sua especialidade, com alguém do outro lado fazendo as perguntas difíceis.
Falar sobre inglês para médicos →
Se você quer conhecer as aulas, veja inglês para médicos. Para estudar por escrito, comece pelo guia de inglês para a área da saúde ou pela trilha completa. As cenas deste jogo estão destrinchadas em explicar um procedimento, prescrever e posologia, encaminhar um paciente e como dar uma notícia difícil. Se o seu mundo é o plantão de enfermagem, o The Night Shift usa o mesmo formato num pronto-socorro britânico. Tudo isso e mais nas ferramentas gratuitas da Lingualize.
Perguntas frequentes
O que é a pasta que aparece no chat?
É o prontuário do paciente, e é o que torna este jogo diferente de um quiz. Cada caso abre só com o que a primeira pergunta precisa, em três ou quatro linhas, e o resto chega como anexo na hora da pergunta que depende dele. Os termos da área vêm sublinhados e traduzem na hora; qualquer outra palavra também traduz ao toque.
Serve para quem, exatamente?
Para médicos e estudantes de medicina que vão atender, estudar ou fazer residência em inglês: quem prepara USMLE, OET Medicine ou observership nos EUA, quem participa de congresso e discussão de caso, e quem já atende paciente estrangeiro. Enfermagem também aproveita, mas para o plantão de enfermagem o jogo irmão, The Night Shift, é mais certeiro.
Qual nível de inglês eu preciso ter?
Inglês profissional de B2 em diante, com parte das cartas em C1. Há texto para ler antes de responder, que é exatamente como um paciente chega na lista. Qualquer palavra, na pasta ou na conversa, mostra a tradução ao toque.
O vocabulário é americano ou britânico?
Americano, porque o cenário é a enfermaria de clínica médica de um hospital dos EUA: attending, resident, one-liner, code status, PRN, sign-out. O The Night Shift, jogo irmão, se passa num pronto-socorro do Reino Unido — jogar os dois cobre as duas variantes, inclusive os pares que mudam (sign-out e handover, attending e consultant).
Dá para usar em turma, liga acadêmica ou curso preparatório?
Dá, e a pasta resolve o insumo. Projete um caso, dê dois minutos de leitura e peça o one-liner em inglês antes de revelar a carta do attending. Em duplas funciona ainda melhor: um aluno defende a resposta rápida e o outro a certa, e a discordância é exatamente o que o jogo quer provocar. Gratuito, sem instalação e sem cadastro.
Como se vence o jogo?
Levando Accuracy, Time e Rapport acima de 70 ao mesmo tempo, ao longo das doze horas do dia. As cartas de cada paciente vêm sempre na mesma ordem: a história, a prescrição, a beira do leito e a apresentação ao attending.
Como se perde o jogo?
De três jeitos. Accuracy chegando a zero é um diagnóstico perdido que chegou ao paciente, e acaba na hora — é a única derrota imediata. Time abaixo de 28 em três momentos quaisquer e a lista para de andar. Rapport no fundo por três horas seguidas e a equipe passa a conferir os seus planos com a residente sênior antes de agir. Um erro isolado não mata: o que custa o dia é o padrão.
As perguntas cobram definição de termo?
Não. Toda carta é uma decisão com consequência nos três medidores, nunca “o que significa X”. E o baralho tem uma armadilha proposital: a opção errada quase sempre ganha Time. Copiar o diagnóstico da noite, arquivar o termo já assinado, dar alta antes do almoço — tudo é mais rápido, e tudo custa caro.